terça-feira, 30 de setembro de 2025

Sereia

na fundura o azul azulando 
às margens a larga praia 
disforme: teu corpo de areia 

maresia. teus olhos dourados. 
ternura espantosa e
disformada e rente ao mar 

moldura tuas jóias ouvidos brio
tesouro revestido pele e seda 
contornos: mãos e véus 

imaginava que não estivesse viva 
o mundo seria incapaz de erguer 
e sustentar os teus sonhos de núpcias 

pensei que havia morrido nas águas,
(encontrei teu corpo décadas depois
nas costas das pedras) 
 
e me abraçava o sol e as ondas 
e me engolia o sal e as espumas 
e eu roçava nas conchas 
eu beijava os corais teus lábios

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