café e dores

café e dores

segunda-feira, 12 de março de 2018

e a gente nem vê

Acho que o tempo está gasto
1. ainda há tempo de sobra.

Pode ser que da tempestade
ao arco-íris,
no Natal,
2. você entre pela porta tarde demais.

Pode ser que no correr do cisco
3. a miragem seja o sorriso dela
distorcido num sorriso.

Pode ela e ele, você, Ana. 
Não é possível conter a correnteza
4. e os olhos, veja bem, quando acordar
é preciso que olhe com carinho.

Vai acordar sozinha
e ciente da solidão,
5. antes que seja tarde demais,
vai sorrir contente por vê-la.

6. Ana, teu coração vai curar o ódio
do mundo, você e ela
de amor.

E seus nomes serão uma só,
mesmo a par da identidade
uma do outra,
descobrirão se fecharem os olhos.

E quando chegar a hora,
destino de quem vive,
ao infinito que por si
só existe.

7. Ana, o tempo não demora.
-

1. houve tempo suficiente para dizer de sobra e ainda há
2. depois disso não sobra mais, ou só as sobras
3. vacilará buscando definição para os sentidos 
4. desperta
5. estamos falando de tempo
6. ainda há tempo
7. você também sente

4 comentários:

  1. O tempo: Construção e mudança. Ele o tempo me dói de tanto amor. A correnteza, a miragem, o sorriso estão nEle acorrentados ou livres. Ah Gisele para me recompor passo também em tuas palavras. ❤

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  2. Me perdoe por ter escrito Gyzelle assim como é. Beijo.

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  3. se não tivéssemos medo, o amor não existiria, pois faz parte dele o medo de perder, de desconstruir e construir...


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  4. Eu acho que foi um casamento bonito a minha prosa e o teu poema. Porque no fim, não importa em que casa estejamos, em algum momento somos todos João.

    Vai, João.

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