café e dores

café e dores

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O momento é quem vai falar

fumar um cigarrinho encostada no muro a modo de alongar 
o tempo e prender o pensamento

e penso no que pensaria se não fosse a cor do céu de manha

empurro a grade, aceno ao porteiro 
que veio do norte também 
que agora conversa com minha mãe 
e me acena com os olhos também

subo os degraus ao lado da janela iluminada de marrom, 
primeiro andar é só tocar a campainha, 
aguardar em silêncio, 
suspirar faz barulho demais.

Olá boa tarde eu estou bem, quer dizer, acho que desassossegada

O que é isso?

Me diga por favor que se estou maluca é melhor correr

Observo os olhos a janela 
e aceitaria mais um cigarro 
mas não peço que abra

Deitada me vaga o que ia dizer

Mas sei lá


*boogarins - 6000dias

Um comentário:

  1. Gosto mesmo é da poesia que fuma um cigarro. Que enxerga o próximo e acena, sem a pretensão de sobrevoar a realidade, mas de encontrar nela as imagens e personagens que ela pode cantar. Seu escrito tem uma medida exata de angústia com o tempo que passa e exige respostas e a contemplação daquilo que nos atravessa sem deixar um nome registrado. Parece também uma poesia escrita depois de uma longa gestação. Talvez sejam os versos que dão saltos de contexto em contexto, ou talvez seja só minha impressão. De qualquer forma, gostei bastante. Vou rolar a página mais um pouco.

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