café e dores

café e dores

sábado, 5 de setembro de 2015

Isso seria uma carta se o endereço do destinatário existisse

I
se é que posso ser sincero 
eu não te quero em minha cama quando o sol anunciar 
que somos um erro à luz do dia
não quero viver em seus poemas que só falam 
sobre um amor incompatível com o meu tipo sanguíneo
se é que posso te dizer a verdade:
somos uma mentira

até os seus olhos não existem quando fecho os meus 
nos segundos que te perco em um infinito passional 
composto por cílios, pele e distância entre dois corpos

II
se é que posso ser sincera de verdade
eu e você não existe
nem há realidade no instante em que te escrevo
pois apenas possuindo olhos imaginários
não é possível notar
que enclausuro versos em lacunas sutis do seu olhar 
enquanto o meu cadáver inquieto aguarda a eternidade

leio a sentença de morte em seus lábios escorregadios 
declamando o lirismo inexistente nas ruas da cidade 
só com o intuito de afogar cinzas e um pouco de rima no lençol azul piscina

a verdade é que a gente não existe
mas há livros que falam sobre o romance escrito 
em nossas trocas de olhares
os seus olhos
são o próprio infinito
mas eles não possuem vida
fora dessa poesia

III
você é vazio
quando não está em mim

2 comentários:

  1. Tua sinceridade é comovente e a poesia no texto, linda. Motivo pra reler inúmeras vezes.
    Bom domingo e excelente semana.

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  2. " O vazio é o nada e o nada é imenso que unido ao todo de ti, nos faz um outro Uni(verso). Te amo poesia, por ti eu perco o sono e me apaixono todo o amanhecer de um novo dia. E o vazio que sinto é tudo o que tu enuncia e isso, é tudo."
    Destinatário.

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