café e dores

café e dores

terça-feira, 2 de agosto de 2016

me cubro de palavras como os lençóis os dedos

é preciso silêncio ao escrever ou que seja estar sozinha talvez a busca anteceda o início do parágrafo seguinte próxima linha

não há enredo mas calço meias longas

encosto as abas da janela e pronta preparo café da madrugada como anfitriã da insônia que carece do corpo cansado

ora se não houve descaso pela ausência nos conservo lúcida quanto à imprecisão das formas então retorno ao papel de figurante na vida do outro e o outro eu nós assim desconhecidos 
embutidos em narração

mais uma vez deito embrulho os pés 
e quase livre de culpa 
ensaio 

solidão 

5 comentários:

  1. Te lendo, me cubro de alegrias e pensamentos nobres. E mais uma vez vou deitar, contente contigo.
    Abraço.

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  2. eu não sei muito bem o que dizer (?) mas tuas palavras são belas e tão reais que dão um certo prazer em ler

    monologos-perdidos.blogspot.com

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  3. "e mais uma vez deito embrulho os pés e quase livre de culpa ensaio testando"

    acho que consciente e inconscientemente idolatramos as tensões literárias dos "grandes escritores e poetas", de bandeira a irmãos campos, de machado à clarice lispector e guardamos por muito tempo em nosso idéario como templo intocavel seus esforços poeticos, seus delirios noturnos... seria bom se continuassemos as introspecções, derribações e "streams of conciousness"... passamos tempos demais atormentados por fantasmas. talvez seja hora de mostramos nossas vertigens mas desamparados, belamente desamparados... somos, sei lá, a quarta ou quinta geração do vazio, das coisas insípidas -- já nem nos preocupamos mais tanto com sabor...

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  4. sim, é preciso o silêncio... enquanto as palavras, de espessura tão fina, nos cobrem o corpo inteiro como a nossa própria pele...

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  5. "e pronta preparo café da madrugada como anfitriã da insônia que carece do corpo cansado"

    adoro visitar seu blog, identifico-me com tuas palavras.

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