café e dores

café e dores

domingo, 16 de agosto de 2015

Morri sete vezes
Mesmo não sendo bicho
No colo de João

Topei com o céu no dia 13
Transei com os dedos no jantar
E deixei que a poesia escorresse
Pela mão espalmada

Aceitei a morte calma
Transformei a cidade sem alma em
um borrão com a caneta preta esferográfica

Tracei um hemisfério
Transa em cada verso
Narrando o inverso de estar
segura no colo mudo de João

Ninguém falou sobre as mortes
intermináveis do coração de
uma mulher
Ninguém falou do coração
Ninguém falou
João
Ninguém

3 comentários:

  1. Não sou João,mas tu me deixa emudecido e de olhos umedecidos com tua poesia escorrida. É tão profundamente humano esse momento, que posso sentir uma paz, como aquela depois do gozo.
    Beijo a minha alegria em tuas mãos,
    boa semana.

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  2. João é sempre alguém dentro de nós.

    Sempre me surpreendo vindo aqui.

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  3. A ternura rasgou algo dentro de mim.
    Sempre vou querer te ler.

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