sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

a solidão não tem nome
mas lambe 
pelas margens 
enfia os dedos 

já a minha língua
se enrola 
feito um trapo retorcido
envolto em tua cintura 

ainda a mesma carne 
o corpo a corroer 
ensimesmado 
o gesto pasmo

somos à luz
do silêncio comovido 
a estadia do verbo impronunciável 

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