café e dores

café e dores

sexta-feira, 22 de maio de 2015

azul-íris

olhos de medo e
passos sonâmbulos
há um brutal encontro de sonhadores no vagão das sete e quase não vejo mais aquela criança querendo sair de casa pra enfrentar um bicho maior do que o escondido dentro da caixa de ossos cansado na cama

eu escuto a buzina chorar por atenção e o suor dança enquanto a gente só quer morrer de amor mas somos atropelados pela compaixão inexistente no asfalto do centro da cidade
e destruídos são os sonhos dos homens de terno engomado
é tudo engolido e intragável desde o último resfriado porque o rio em maio é quase tão gelado quanto o som de um suspiro prolongado e sem rima
há sim muita desistência e penitência quando não usamos as palavras para dizer que o sufoco é oco como todas as obras que tentei escrever falando sobre os seus olhos de medo mesmo o dia estando tão azul-íris




3 comentários:

  1. Tua poesia é vida em meio ao caos. Entre os asfaltos e desesperos dos dias, ela vive! Ainda bem!
    Bjoo'o

    P.s: Essa música, esse album, esse Ciço ♥

    ResponderExcluir
  2. Vestir-se de nós e sobreviver. Há muito disso em meus dias.
    Gyzelle que bom que encontrei seu novo link, não estava conseguindo entrar no blogue. Que susto! Faz-me falta te ler. Beijo

    ResponderExcluir