domingo, 4 de janeiro de 2026

fui decapitada, cortaram os meus 
meios de ir e vir
a palavra,

saudade do que ainda não tem nome 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Receita de Ano Novo de Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Calêndula

o meu amor que é silencioso
feito as asas de um canário esticado
no peito de uma calêndula

o meu rosto que reluz a sombra
amêndoa das folhas banhadas 
pela chama de luz da vela

nós que somos os reis, a enseada,
o ensaio, a nau, o choro: sentinela

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Dentro da minha casa

Noite de Natal, 
Da janela ao lado me esbarro com olhos
De comer horizontes, navios e embarcações 
Dos olhos mediterrâneo mares
Das maresias, teu gesto informe 

Meu país dentro da minha casa. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

Paetês

Estou bonita 
que é um desperdício 
dizia Ana Cristina Cruz Cesar
em seu poema de Natal

Noite de Natal
estou bonita que é um desperdício,
todas as luzes de noites vermelhas

Estou bonita,
ainda que pareça um desperdício,
de paetês, estou bonita que é um vislumbre.

domingo, 7 de dezembro de 2025

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

autógrafo

beijo a lateral da assinatura
que você borrou o meu nome

naquela festa das luzes cor de gin

como se agachada tomasse 
a tua mão e me deleitasse 
de um único pedido

quer escrever a tua história comigo?