a gente tá esperando que a casa não caia, que a festa não acabe, que chegue na hora e o busão pare, que o busão não atrase mais uma vez a gente precisa chegar na hora. que a hora chegue, aquela esperada, os pombos cagam a gente já sabe, mas que não sejamos o alvo, nem dos tiros, nem da faca amolada. a gente tem que aguardar molhado da cabeça aos joelhos e pede correndo pra algo além do tempo mudar.
quinta-feira, 11 de abril de 2019
domingo, 7 de abril de 2019
atterrir / atterrare / terraplanar / flat-landing by gyzelle góes (in. Amante, 2019) [trans. ramonvldiaz]
[fr]
nos coeurs et papillons
les dévastés fous
comme ça nous obtenons la revanche
des chansons émouvantes
cela nous a obligé à dormir
pendant que nous avons secoué les ailes
et indiscrets mots
nous sans pitié
palpitant dans le ciel statique
soif d'atterrissage, neutre-enterré
[ita]
nostri cuori e farfalle
devastati pazzi
talmente abbiamo vendetta
delle commoventi canzoni
questo ci obbligava a dormire
mentre stavamo a oscillare le
ali e indiscrete parole
siamo spietati nodi a
pulsare nel cielo statico
assetato di terra, aterrato
[esp]
nuestros corazones y mariposas
insanos devastados
de modo que nos vengamos
de las canciones movedizas
que nos imponían a dormir
mientras debatíamos las alas
y las indiscretas palabras
somos implacables nudos
pulsando en el cielo estático
sedientos de aterrizaje, terraplanados
[eng]
our hearts and butterflies
raging devastated ones
thus so we get revenge
for these quicksand songs
that push us to the sleep
while we shook wings
and careless words
we as ruthless knots
throbbing in vanilla sky
thirsty for landing, flat-landed
les dévastés fous
comme ça nous obtenons la revanche
des chansons émouvantes
cela nous a obligé à dormir
pendant que nous avons secoué les ailes
et indiscrets mots
nous sans pitié
palpitant dans le ciel statique
soif d'atterrissage, neutre-enterré
[ita]
nostri cuori e farfalle
devastati pazzi
talmente abbiamo vendetta
delle commoventi canzoni
questo ci obbligava a dormire
mentre stavamo a oscillare le
ali e indiscrete parole
siamo spietati nodi a
pulsare nel cielo statico
assetato di terra, aterrato
[esp]
nuestros corazones y mariposas
insanos devastados
de modo que nos vengamos
de las canciones movedizas
que nos imponían a dormir
mientras debatíamos las alas
y las indiscretas palabras
somos implacables nudos
pulsando en el cielo estático
sedientos de aterrizaje, terraplanados
[eng]
our hearts and butterflies
raging devastated ones
thus so we get revenge
for these quicksand songs
that push us to the sleep
while we shook wings
and careless words
we as ruthless knots
throbbing in vanilla sky
thirsty for landing, flat-landed
[original]
nossos corações e as borboletas
insanos devastados
desse modo nos vingamos
das movediças cançoes
que nos impunham a dormir
enquanto debatíamos as asas
e as palavras indiscretas
nós implacáveis
pulsando no céu invariável
sedentos de pouso indiferentes à terra
link: https://holostasis.blogspot.com/2019/02/atterrir-atterrare-terraplanar-flat.html
insanos devastados
desse modo nos vingamos
das movediças cançoes
que nos impunham a dormir
enquanto debatíamos as asas
e as palavras indiscretas
nós implacáveis
pulsando no céu invariável
sedentos de pouso indiferentes à terra
link: https://holostasis.blogspot.com/2019/02/atterrir-atterrare-terraplanar-flat.html
selvageria
através da voz dos gestos
adormeço os sonhos
acordo infinita de silêncio
selvagem
insisto no poema
ainda que a poesia
tenha desvendado horizontes
ontem não recordo
encontro presente
cadernos cobertos de palavras
datilografadas no azul
teremos o tempo do mundo
e a coberta do dia
encerada no sorriso
e nas despedidas
enfim sonhamos
as ruas desviam os nomes
e a fome de ontem
pintada de azul
a cor silenciosa
adormece dentro dos sonhos
sob a voz de um gesto
adormeço os sonhos
acordo infinita de silêncio
selvagem
insisto no poema
ainda que a poesia
tenha desvendado horizontes
ontem não recordo
encontro presente
cadernos cobertos de palavras
datilografadas no azul
teremos o tempo do mundo
e a coberta do dia
encerada no sorriso
e nas despedidas
enfim sonhamos
as ruas desviam os nomes
e a fome de ontem
pintada de azul
a cor silenciosa
adormece dentro dos sonhos
sob a voz de um gesto
por afeto por dentro dizia eu sou amor
dentro da galeria de arte
diziam das coisas do mundo da arte
diziam o nome do champanhe e do vinho
eu tomava a goladas cada gesto
do pingo na gola e do risco no sapato
os sapatos eram largados e firmes
a gota se desfiava no pescoço
era bonito o nome do filme que projetava
mas no entanto esquecera do nome
de que voltaria à casa
e de mais alguns instantes
era possível que não voltasse
àquele momento
poesia agora
e que imaginasse a cena antes de acontecer
mas durante a galeria por dentro
sentou ao chão com sua mãe ao lado
e escutou o coração da poesia dela
dizia amor
eu sou
era tão bonito a palavra em sua boca
que enrugava meus braços
e dizia afeto
realmente aquele momento
diziam das coisas do mundo da arte
diziam o nome do champanhe e do vinho
eu tomava a goladas cada gesto
do pingo na gola e do risco no sapato
os sapatos eram largados e firmes
a gota se desfiava no pescoço
era bonito o nome do filme que projetava
mas no entanto esquecera do nome
de que voltaria à casa
e de mais alguns instantes
era possível que não voltasse
àquele momento
poesia agora
e que imaginasse a cena antes de acontecer
mas durante a galeria por dentro
sentou ao chão com sua mãe ao lado
e escutou o coração da poesia dela
dizia amor
eu sou
era tão bonito a palavra em sua boca
que enrugava meus braços
e dizia afeto
realmente aquele momento
terça-feira, 2 de abril de 2019
Aurora
era noite de quinta
a gente se espreguiçando no sofá
o couro as costas
o jeito do tempo se alongar
dentro do poste
refletido no espelho do relógio
a gente de um jeito destemido
determinadas a cultivar a manhã
dentro uma da outra
assim como dois é par
a noite se estendia por dentro
quando o sol gritasse aos olhos
que chegada a hora
fosse preciso do sonho
o gozo através da Aurora
nos veríamos outra noite
em outro couro
prestes à preguiça
acordar em um sonho
dentro uma da outra
em pleno orgasmo
a gente se espreguiçando no sofá
o couro as costas
o jeito do tempo se alongar
dentro do poste
refletido no espelho do relógio
a gente de um jeito destemido
determinadas a cultivar a manhã
dentro uma da outra
assim como dois é par
a noite se estendia por dentro
quando o sol gritasse aos olhos
que chegada a hora
fosse preciso do sonho
o gozo através da Aurora
nos veríamos outra noite
em outro couro
prestes à preguiça
acordar em um sonho
dentro uma da outra
em pleno orgasmo
era perto do inverno quando me disse
da quentura ao abrir a boca,
a maçã doce na boca da lua
enluarava também os meus
o corpo do sofá dormente
de propósito decido erguer o meu
abro os olhos à noite
e encosto o coração
na bancada fria
esquento os pés à pé
de longe as garrafas
brilham na luz da boca enluarada
meto os dedos entre a brasa,
doce de maçã na boca,
queimo como em pleno inverno
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