sábado, 20 de junho de 2026

fundo do mar

não previa alcançar 
a penumbra do fundo do mar 

dormente
ferido de amor 
e assombro 

você a minha concha

e eu, uma pérola,
na profundeza
cravada do teu ombro

domingo, 14 de junho de 2026

galope

com os campos líricos e rítmicos 
das palavras tive um sonho 

galopava, esparsa entre nuvens 
lilases. órbitando a solidão 
da sombra
dos pássaros

firmes as mãos entorno 
da crina de um cavalo azul-neblina

a ferida do teu silêncio impressa 
no meu aceno descolorido

acordo. a manhã me parecia 
a extensão da estrada infinda:
aquela reticência furiosa.