terça-feira, 19 de maio de 2026

vampiro vulgar

o amor me agride por escândalo, vês. 

vampiro vermelho vulgar
suspeito.
             hematoma

o poema imprimiu o próprio gesto
na minha jugular. 

terça-feira, 28 de abril de 2026

erguer uma primavera 
ao teu lado
para te dizer – 

venha, meu amor,
desabroche em meus braços 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Existir

pavor de residir em um sítio 
que nos devore o desejo,

esquecer a palavra – embora
não a tenha decorado.

à margem da folha, 
na esquina do teu beijo. existo.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

indiscrição

segundo Paulo, há uma tarefa delicada 
e um esforço árduo de escolher 
ser: ninguém.

no espaço entre existir e não querer,
haverá uma palavra, 
ainda que mínima:

aquela que nunca seria pronunciada. 

por uma única razão escolhemos
ter: aquela mudez indescritível. 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Adélia Prado diz em seu poema 
que as vezes Deus tira-lhe a poesia. 

ontem achei que você havia tomado
a poesia de mim. engano.

o que você me tirou foi o tempo 
perdido que teria ao seu lado.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

beijo no asfalto II

olhei para uma faixa de linha 
azul no céu, jurei que era o reflexo 
atropelado do teu olhar que
me espreitou. 

o poema se encerrou quando, 
sem reflexo, o menino de bicicleta 
na faixa de linha azul no chão
me atropelou. 


quarta-feira, 18 de março de 2026

Embora

            à Paulo Henriques Britto

não iremos jamais

embora
o poema 
               já esteja pronto.