quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

diurno

farejei as minhas mãos
e elas ainda resguardam 
o semblante afobado 
do teu corpo diurno,

há dias, o líquido de um Sol
que não se pôs na sombra. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

máquina

os olhos enferrujados 

e o coração 

fez o uivo


de um pneu perfurado

na Avenida Atlântica


essa voz mecânica: alô? quem fala?


eu só queria que esse poema chegasse 

até os seus ouvidos

domingo, 4 de janeiro de 2026

ausente

decaptaram
a palavra

como quem arranca
do pescoço um colar de pérolas –

ausente do que ainda não tem nome. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Receita de Ano Novo de Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Calêndula

o meu amor que é silencioso
feito as asas de um canário 
esticado no peito 
de uma calêndula

o meu rosto que reluz o vulto
amêndoa das plumas 
incrustado pelo fulgor 
do lume da vela

nós que somos os reis, a enseada, 
a nau, a âncora e a espera: 
amo-te à sentinela

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Dentro da minha casa

Noite de Natal, 
Da janela ao lado me esbarro com olhos
De comer horizontes, navios e embarcações 
Dos olhos mediterrâneo mares
Das maresias, teu gesto informe 

Meu país dentro da minha casa. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

Paetês

Estou bonita 
que é um desperdício 
dizia Ana Cristina Cruz Cesar
em seu poema de Natal

Noite de Natal
estou bonita que é um desperdício,
todas as luzes de noites vermelhas

Estou bonita,
ainda que pareça um desperdício,
de paetês, estou bonita que é um vislumbre.