amante
sábado, 20 de junho de 2026
fundo do mar
não previa alcançar
a penumbra do fundo do mar
dormente
ferido de amor
e assombro
você a minha concha
e eu uma pérola
na profundeza
do teu ombro
domingo, 14 de junho de 2026
galope
com os campos líricos e rítmicos
das palavras tive um sonho
galopava, esparsa entre nuvens
lilases. órbitando a solidão
da sombra
dos pássaros
firmes as mãos entorno
da crina de um cavalo azul-neblina
a ferida do teu silêncio impressa
no meu aceno descolorido
acordo. a manhã me parecia
a extensão da estrada infinda:
aquela reticência furiosa.
terça-feira, 19 de maio de 2026
sintoma
o amor me agride por escândalo
vampiro vermelho vulgar
suspeito
HEMATOMA
[falta-nos o ar]
o poema imprimiu o próprio gesto
na minha jugular
terça-feira, 28 de abril de 2026
erguer uma primavera
ao teu lado
para te dizer –
venha, meu amor,
desabroche em meus braços
segunda-feira, 27 de abril de 2026
memória da palavra
pavor de residir em um sítio
que nos devore o desejo,
esquecer a palavra – embora
não a tenha decorado.
à margem da folha,
na esquina do teu beijo. existo.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Nada
segundo Paulo, há uma tarefa delicada
e um esforço árduo de escolher
ser
[Nada.
no espaço entre existir e não querer,
haverá uma palavra,
ainda que mínima
aquela que nunca seria pronunciada.
embora, por uma única razão
escolhemos
ter
[Nada.
aquela mudez indescritível.
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Adélia Prado diz em seu poema
que as vezes Deus tira-lhe a poesia.
ontem achei que você havia tomado
a poesia de mim. engano.
o que você me tirou foi o tempo
perdido que teria ao seu lado.
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