terça-feira, 14 de julho de 2015

Tua

A poesia lambendo o lóbulo da orelha
A poesia entre os beiços
Molhando o teclado
A poesia suja
A poesia fluída
Poesia ticket + dose dupla de vodka
Poesia transviada
Eu juro
Se não pularmos antes de
atravessar o viaduto
Muita poesia no muro
Só poesia português padrão
Só poesia tua minha é nós na garganta pra caralho
Poesia pseudo culta pós-impressionante
Poesia fajuta trocada por uma grana curta
mas
ela é
grande
Estamos distantes
Distantes e
Eu vou falar da poesia intrusa
Em tudo aquilo que protesto
Poesia manifesto
Manifestada de forma bruta
Poesia é coração de puta vadiando no carnaval do Rio de 
Janeiro é mês de ferver o corpo nas ruas em horário de verão
Poesia sol na pele a tostar
Fio dental e removedor de vazios
A poesia encheu o vaso
O vácuo
Entre duas bocas
Poesia escorrendo pelo queixo
Pingando no chão da sala 
2 quartos 
1 cozinha 
varanda de frente pro puteiro 
Mais barato do bairro
Poesia gozando da sorte
Sentença de morte, Vida e outras artes


Poesia é você

sexta-feira, 10 de julho de 2015

perca

Descobri que remetente é a cor do céu no inverno
Quando a lua fica cheia de nós e desaparece
Mas há uma avenida cheia de passageiros
Fugindo daqui dessa gente desenganada
Dessa espécie que inventa o amor mesmo que o verbo amar
Tenha sido usado tantas vezes que até tenha perdido o significado

Bares lotados e há um trocado pra mais uma dose de percas
Eu também me perdi mas quando as nuvens se chocam
O choro é coletivo na hora mais cheia do dia

A lua permanece inteira e estou perdida sim achando que o horário de Brasília
Não regula o medo do tempo
Não é de chuva que temo quando o cinza
Pinta as cores dos seus olhos de verniz

Só enfrento as horas a mais no calendário
E inalo um pouco de mim pra ver se fujo de nós na garganta
Perdi os sonhos no canto da boca e a vontade de dançar
Com o inverso no peito da caneta

Versos sobre o carteiro que fugiu dos correios
Me deixando assim entregando olhares alheios
Estamos interpretando o desespero
Achando perda em cada tampa sumida de cabeça
Não me deixa esquecer de você recitando poesia sobre suas manias...

Eu te perdi mesmo sem nunca ter nem o direito autoral ao seu nome cotidiano
É tudo isso um engano
Enquanto o rádio também inventa de chorar conosco no banho
Mas quem tem paciência pra choro quando o coro de indivíduos
Soa despercebido e a gente ouve os zumbidos do mundo
Querendo respirar um pouquinho

Minha rima está perdida dentro da tampa da caneta
No cheiro da sua camiseta indo embora antes que eu me desse conta
De que perdi a hora e as conta dos passos de volta pra casa sozinha
Eu perdi até a vontade de continuar essa poesia...

terça-feira, 7 de julho de 2015

pedalinho

eu não sei se notou
mas a cidade está mais cheia

e íntima
e doida varrida 
não sei se notou que te olho
quando há uma distração em sua fala
momento em que me nutro de harmonia e instabilidade

não sei se notou 
mas somos as desequilibristas 

o Cristo fica colorido em dias específicos
e a lua tem aparecido antes das cinco
no instante em que você pega a sua bicicleta
e equilibra a própria vida entre o meu coração
e o espacinho instável do asfalto 

que a minha boca quer morar 
em seu corpo feito se te adorasse
mas não sei se notou 
e olha que eu te adoro 

sábado, 27 de junho de 2015

Você gosta disso e eu com as palavras me reviro

eu te procurei pela cidade

mesmo só sabendo o seu nome e querendo morar

em cada curva do seu j

e te quis como se a lua não fosse me esquecer mais tarde

porque não tenho vista panorâmica de seus olhos mas tô paranóica sim

usando palavras pra cessar o sufoco

ufa é pouco

ter você seria o meu alívio

porque há um grande risco

de sermos reescritos por tradutores automáticos


na curva do seu sorriso

eu quis fechar parênteses pra ver se esclarecia

nosso contexto inexistente

mas isso é licença poética demais

no ponto eu te dei um fim

porque não tenho aspas pra voar contigo


no início da rua eu encontrei

a sua janela

não era em sua casa que eu pretendia morar

domingo, 14 de junho de 2015

nós na poesia é incompletude

assim metade
meio míope
insossa
faltam alguns centímetros
decoro o som do passarinho
sem nicho produz
antes dos vizinhos 
os coadjuvantes da poesia
saírem
para trabalhar
acordar em tom do choro 
daquele bicho é
me aceitar ferida

mansa e maré
café de manhã
borro o mármore e
essa cara tão pálida 
não é mais de espanto
me aceitei metade
mas é verdade é que me falço falta
me sondo e busco motivos
nem do lugar pois 
o choro do passarinho 
sem ninho 
é onde habito

arritmia cardíaca
mais rápida do que as rimas
estou sim aceitando a falta de ritmo
subestimando as vírgulas estendidas 
no varal da licença poética 
situada em tudo aquilo que enfio 
goela 
A dentro
e fora nada parece tão concreto
apesar desses tantos prédios

Não vim inteira!

estamos a sós em nós
em alguma cidade da rua  
nas placas e muros pichados
A poesia
esquecida (como nós)
enrolados nós cabos de eletricidade
morrendo eletrocutados
pela cidade
o coração não bate
só clama poesia não se apague
mesmo que as paredes da cidade
não caibam tantas 
metades

estamos engolidos
procurando
abrigo sentido motivo
...o silêncio é tão grito quanto o choro daquele passarinho

sábado, 13 de junho de 2015

amoras

Eu que nunca antes havia provado o gosto de amora, descobri o amor escondido dentro do caldo que saía da fruta e dos lábios e de versos vadios. Quase encontrei refletido no muro branco de cal a luz verídica do sol que vinha de uma manhã afobada pra acordar e me acender queimando um pedacinho do pé. Quase despertei mas é inútil acompanhar a passos o tempo e os novos ônibus de janelas trancadas espalhados pela cidade. Quisera uma borboleta fizesse lar na minha mão e do meu corpo houvesse língua que quisesse ler em braile um versículo obsceno. Desculpa a cena. Preferiria ser revelada como um artigo sem letras mas também não possuo números ou código que me abram as pernas antes de uns tragos de resignação. A minha pele é o caminho dos amores que deixei na rua junto aos versos em guardanapos úmidos e preferiria não lembrar do carteiro indo rumo à longe daqui levando as cartas do meu armário num ônibus com ar condicionado.
Logo as cartas sem rumo...

Eu que nunca amei
acho que encontrei na amora o amor.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

será
que 
te trago
ou trago você?
trago 
angústias
em um maço
de cigarros
e as suas cinzas
no canto
do quarto
será 
que te trago?