terça-feira, 6 de setembro de 2016

E agora?

uma chave na mão e o corriqueiro suspense entre a dobradura ventilada dos pulmões carbônicos. tudo é molécula entretanto vi na lagoa um brio ensebado que caso contrário fosse apenas modo de imaginação em ativo por necessidade de matéria, não criaria dúvida. existe quase tão em rasgo então o escasso encontro espaço pra se expressar - assim ágil. noto a falta de horas enquanto os olhos aglomeram o relevo dos números, tais quais adjuntos às vezes que traíram o sono no intuito desse café pela manhã. não é sentido, veja bem, tanto quanto àquelas estradas, palavras seguem rotas. é seguro, desacredite no que exprimo, força pasma gera falsa sensação de estabilidade. Durmo, não durmo, escuto os meus pensamentos e enquanto escrevo? E então? Novamente perguntas. caso queira o destino (creio usar as palavras certas) me submeter à vontade de não bater a porta - Realmente não bato, nunca houve.

domingo, 28 de agosto de 2016

sentir é inundar um barco que navega em pleno mar pacífico

cristais sob as águas
é um caminho distante e viela
cheia de lixo muvuca de gente
suruba de fome enquanto indigestão
vapor azulado
penso e o coração em pacto
de frente pra colisão
é um fluxo quase convulso
palavras marchando por mãos
só naufrágio estrela em fuga

seguir meu coração?


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Linha 4

na solidão transacionar a rádio
portas encostadas sem trancas
compor melodia no violão
não é discurso sóbrio quanto às noites
de um esquecimento póstumo
embora seja o fator principal
as praças convergem
em nós
d e s c o n h e c e r m o s

ouso tocar só no flagelo sentimento
que inflama incubado
em nós
e preza pelo zelo das mãos
é que tristeza tem nome, face e endereço
contudo se manifesta indiferente
sofrendo aborto simultâneo
em campo infértil onde paira o sol

é que tristeza me faz companhia
mas me sinto só

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

me cubro de palavras como os lençóis os dedos

é preciso silêncio ao escrever ou que seja estar sozinha talvez a busca anteceda o início do parágrafo seguinte próxima linha

não há enredo mas calço meias longas

encosto as abas da janela e pronta preparo café da madrugada como anfitriã da insônia que carece do corpo cansado

ora se não houve descaso pela ausência nos conservo lúcida quanto à imprecisão das formas então retorno ao papel de figurante na vida do outro e o outro eu nós assim desconhecidos 
embutidos em narração

mais uma vez deito embrulho os pés 
e quase livre de culpa 
ensaio 

solidão 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

terráqueos

fotossíntese, lâmina, acne, transformidade, cabide pequeno e lacre em caixa de papelão, transtorno pré-consultado e o diagnóstico de uma aparente falta de tudo
mas talvez seja o excesso talvez o avanço dos carros indiquem a hora de atravessar - linhas em sincronia na blusa de manga comprida faixa de pedestre quanto custa não passar faz tanto tempo que não chupo uma fruta
é esse buraco na terra, o efeito da nuvem sobre a lua cheia, completinha. mas é que o pão veio duro, o troco inteiro, a alça do saco arrebenta mesmo sem peso, sim o buraco é fundo, não posso ver
as armações foram compradas em 5x sem juros é que o blecaute não teme as lentes a prova de ver além é mais do que esticar o pescoço tira os óculos escuros pra ver o tom do céu que agora é alegoria pro alvoroço melancólicos dos pombos dessa cidade indefinível
é que basta de descrições hipotéticas do que seria eu e você e mais aquele ali ninguém é tão completo assim, não tento argumentar, isso é passado enquanto a gente marcha e ali mancha de sangue estendida no horário de
volta pra casa
celulose, catarro na garganta parecendo fala contida, me contenho tanto que se quiser nem existo, deixo escapar suspiro como um símbolo de prosa que ofereço humilde sem valor de devoção - me sobra perplexo espasmo da completude de estarmos habituados ao chão

sexta-feira, 15 de julho de 2016

entrada

estocada
essa faísca
figura
eco de uma invasão 

o buraco estreito
só há passagem
de ida
e volta
volta pra casa

a geladeira tem água
estoque
de tudo que vive
e só existe
procura no fundo do poço

toque
nem telefone ou campainha
é batida de punho
na madeira maciça

domingo, 3 de julho de 2016

dór émim fásol lá sim

sem invasão da luz
4:20 ou seis e dez 
já não sei
que dia é
penso
estado de graça
mas quem sabe amanhã
quem sabe oh pai
nunca fui de prever aspas
tempo atrasa
quem sabe
é hora de trocar mobília
as estantes cresceram
e os relógios
buzinas triplicam
enquanto as contas injuriadas
amanhecem
oh céus
hoje faz tanto sol
sei lá