domingo, 24 de julho de 2022

cactos e poemas

quase nada se limitou ao tempo, a não ser
ele mesmo

percebamos que nos cactos persiste 
a delicadeza pronunciada que desprezamos,
ou fora dela mesma 
repreendida 

embora hemos de colher o mel daquela fruta
esquisita, e de inflingir o instinto 

nossas mãos, ainda que enluvadas 
por espinhos, hão de farejar afagos - 

os apáticos nos impuseram a prova 

sexta-feira, 22 de julho de 2022

seria o meu fim

uma cerveja no freezer
o meu frenesi 
não cessa

ele apagou o meu número 
eu apaguei o seu rosto

na areia
de rostos
identificáveis

se sou eu quem fiz
dos grãos 
das costas
das costas

quem dera se eu tivesse o teu não

quinta-feira, 14 de julho de 2022

encontro um astro em teu umbigo

que se revele o universo 
encontrei-o em teu umbigo

o teu rosto
posicionado ao sol
feito uma flor sedenta

é completo degelo, árduo 
escuto o teu chamado 

dura uma eternidade 

e nada mais precisaria ser ouvido 
a não ser o eco 
teu umbigo 

sábado, 9 de julho de 2022

louva a Deus

às noites de sexta 
geme um louva a Deus 
os seus pecados
da janela

eu o agrido com o meu silêncio
baforando meu Minister 
é tão superficial
aqui de cima
olhar o Cristo
e dizer eu sou mais uma
que não sai dos seus pés

o louva a Deus 
bicho gozado 
todo melodramático 
se despede com as asas 

quem sabe seja ele quem 
seja o primeiro a encontrar 
o paraíso 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

terça-feira, 5 de julho de 2022

um corpo só

escrevo-te 
sob a luz do quarto
translúcido
o teu rosto
sob o meu quadril

você me esbarra 
é como se um copo de vidro
se estatelasse 

a tua voz
coisa igual
só o silêncio
das horas de pico

você se posiciona
ao meu lado
e eu sempre só
chamo-te 
como quem se estatela

segunda-feira, 4 de julho de 2022

ternura


as margens dos teus lábios
traçar bordados

a lua terna 
no seio da noite 

teus olhos
tão mencionados 

inauguram a manhã