café e dores

café e dores

domingo, 13 de dezembro de 2015

Ausência

Esse purgatório escuro me envolvendo com fome, como uma película de vidro protegendo meu corpo e tomando meu líquido, inundando de preto toda superfície macia. Chegando mais próximo, é possível naufragar nessa ausência de cor que sei de cor. É preciso medo pra não se atordoar no devaneio de um mergulho sem resquício de volta nessa colossal escuridão que se assemelha à possibilidade de infinito. De súbito me engole, rasga as cartas brancas e zomba da ferida avermelhada na ponta do coração. Me cega de ternura, ofusca em tons de fúria a despedida, e me retém inerte nas sombras de uma noite que não finda. Oferece as trevas como escudo enquanto se aboleta na luz que trás o amor prematuro presente no resquício de batom esquecido nos lábios, lúgubre, me apresenta a morte como uma dádiva. Esse tom hostil é onde quero repousar, e chega mais perto, mais um passo, o sol esqueceu de nós. Seus olhos. Seus olhos são todo o universo a sóis me consumindo. A claridade não atinge nossos corpos enquanto você me nota. 

Seus olhos?  Presença de dor.

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