café e dores

café e dores

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

doe-me

peço relevância por meu distúrbio de existência
carrego essa ânsia de desbravar do pacífico à calmaria da alma
o barulho dos pulmões reivindicando paz
maços diversos esquecidos na bolsa como um lembrete
cores aleatórias do céu tão vulgar que não te desenham 

e te recordo ao ouvir o cheiro do avião em busca de uma pista
mas calma que o vento vem do norte balançando as asas
rodovias foram transformadas em espaço de suicídio imediato 
os mistérios dos olhos estão embutidos na prescrição da bula

o caos nas palavras e um discurso anotado na superfície do tato  
gingo a perna quando você acende em mim a harmonia acidental 
requer calmaria lidar com transtorno de morte até quando quero ternura 
nota o desequilíbrio na inquietação do movimento da língua? 
associo o júbilo à uma ferida dolorida que coça 

eu não pertenço nem a mim e estou alheia à dor 
mas a poesia despertou berrando o seu nome em carne rígida
entrou pela fresta de vida e acendeu a dormência da rima  
peço um pouco de calma e o antídoto para um coração com paralisia 

2 comentários:

  1. Essa foi pra mim. Se não foi já era... agora é minha - eu já fingi.

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  2. Eu também fingiria, fugiria da realidade e pra casa nem voltaria se essa poesia fosse mim, com teu sim num selo do correio, sem sedex.

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