café e dores

café e dores

terça-feira, 27 de março de 2012

Venha me salvar


Estou sem ar e meus olhos parecem duas bolas de fogo de tanto que chorei. Estou aqui escrevendo mais uma vez, eu quero tanto ser salva. Escrevo e escrevo, como se ao digitar, a dor passasse para os dedos. Se você lesse tudo que escrevo desde quando partiu, enlouqueceria. É tanta dor, tanto desespero que eu me jogo ao chão. São confissões de uma louca, louca por você, você que se foi e não vai voltar.
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São cinco e meia da manhã, escrevo pois está escuro e no escuro consigo ver teu rosto. Está quase amanhecendo, o sol está se preparando para aparecer e você é a única coisa que não. Quero ouvir o telefone tocar, sua voz estaria estranha e rouca, me diria que está arrependido e que não consegue sem mim. Você pode mentir, sempre fez isso. Queria que tocasse minha porta, me segurasse nos braços e gritasse que quer tomar café e ir ao cinema todos os dias, só comigo. Eu preciso ser salva, estou na mais profunda derrota.
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Preferia que você morresse. Eu poderia voltar a viver normalmente. Minha garganta está inflamada, minha voz não sai, apenas grito nas palavras, se lesse tudo que escrevo estaria surdo. Está amanhecendo, você não irá mandar aquela mensagem desejando bom dia, nem ligará antes do almoço só para dizer que eu sou mais gostosa que açaí com banana. O rádio está quebrado, o violão desafinado.
Meu amor, está claro e cadê você? O sol apareceu.

        Dedicado a um antigo quase amor e pronto para musicalização

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