café e dores

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Desvendar os mistérios do medo

"Eu nunca fui um homem bom"

Folheando lentamente o jornal da cidade, procurava minuciosamente por alguma notícia suspeita. Cerrou os olhos quando viu aquela que dizia sobre um massacre de mulheres e sorriu com incredulidade. Fechou com força aquele jornal com cheiro forte, que o enjoava, e seguiu para o banheiro. Mirou durante bom tempo de frente ao espelho o rosto inerte e murmurava baixo. Resmungava coisas seguidas de palavras chulas. Lavou o rosto esfregando com força, vestiu a primeira peça que encontrou jogada na cadeira de madeira dentro do seu quarto.

Saiu pela rua com o mesmo sorriso que deixava seu rosto coberto por malícia, com as mãos nos bolsos cantava uma ópera, bem baixinho. A noite estava tão escura que nem mesmo as lâmpadas conseguiam ilumina-la. Entrou em um beco de paredes sujas, um bar que existia lá, havia muitas mulheres e ele as fitava sem timidez. Sentou em um banco qualquer, pediu uma dose de Whisky. Depois de observá-las com cautela, não conseguia tirar os olhos da mulher mais estranha do local; ela estava em um canto, em pé. Cabelos curtos, pele branca como um lobo, esguia e seus olhos grandes demonstravam medo por tudo aquilo. Medo indecifrável; engraçado. O homem levantou e foi à sua direção.

Ela o fitou com indiferença; ele quase sorriu. Conversaram por algum tempo e no fim da noite ela já estava dentro do carro. Dirigiu até outra cidade, a mulher, não satisfeita com aquele clima, calou. O homem parou o carro em um casebre escuro e os dois entraram, ela quis ir embora, já era tarde, jogou-a em cima da mesa no centro empoeirada. Começou a rasgar sua roupa com fúria. Os olhos do homem reviravam de misto ódio e poder. Gritava, se debatia e rasgava com as unhas o que podia. Tudo poeira. Após puro intenso, a casa parecia ter sido pintada de vermelho como cena de horror. Matou a mulher misteriosa, tocou no segredo dela, sua função era essa.

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