café e dores

café e dores

terça-feira, 27 de março de 2012

Foi embora su'alma

Era noite, a lua pairava tão perto das nuvens que era possível tocá-las, o brilhante das estrelas refletia na neblina que cortava o céu. Ela podia sentir as batidas aceleradas daquele coração prolixo, sentia as veias pulsando incontroláveis enquanto suspiros em tom de desespero pulavam de sua boca. Do porão dava para ouvir todos os passos e gritos que a casa emitia.

Ela passou as mãos pelos lábios entreabertos como se quisesse arrancá-los, podia sentir suas pupilas dilatadas, seu frágil peito embora fosse pequeno, fazia seu vestido mexer-se. Em um completo ato de desespero, olhou para as próprias pernas manchadas de vermelho, a adrenalina tomou seu doce corpo, se alisou com medo; sentiu um cheiro fresco, cheiro de ferro, e logo concluiu ser sangue. Levantou-se de susto, de seu corpo gotas daquele líquido caíam. Era uma dor cortante, amarga, porém, dor maior ela sentia dentro daquele peito agitado. Concluiu que as vozes alteradas eram de seu maldito pai. As lágrimas corriam pelo rosto, molhando-o.

Saíam de uma forma sinistra, mas a dor, essa jamais sumiria

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